Aluna realiza sonho de criança no curso de Agronomia

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“A gente se supera, não é?” Essa é só uma das frases que Kananda Rodrigues, estudante de agronomia da Universidade de Taubaté (UNITAU), diz ao contar a experiência vivida por estudar uma área acadêmica mais popular no meio masculino.

Motivada pela família, que é com quem mais gosta de estar no tempo livre, a universitária de 19 anos optou pelo curso por estar acostumada, desde criança, a brincar com os bichos, com terra e com árvores na roça em que passou a infância, na cidade de Areias, que tem 4 mil habitantes, no interior paulista. “Meu pai sempre trabalhou com isso, minha mãe sempre teve a horta dela e minha avó sempre teve frutas no quintal. Então, desde pequena, eu me acostumei a isso”, disse Kananda, que se mudou para Taubaté em 2015 para fazer a faculdade que queria.

Além da justificativa principal, ela demonstrou, mesmo sem perceber, um outro motivo para fazer o curso, ao responder o que faz para se sentir viva: “Eu não deixo de ser eu mesma, faço o que eu gosto, sem me preocupar com o que estão pensando”. E essa é a maior prova de que a estudante não se incomoda de ter escolhido Agronomia como futura profissão, área que, para muita gente, é voltada somente para homens.

Antes de ingressar na universidade, Kananda conta que muitos estranhavam a decisão do seu futuro acadêmico: ‘”eu ouvi muita gente questionar o fato de eu querer Agronomia. Muitos diziam que eu seria a única mulher, que a sala teria apenas homens”. Apesar disso, ela conta que nunca sofreu qualquer tipo de preconceito na área, mas lamenta ter de conviver com muita desconfiança e desigualdade de gênero na busca por oportunidades de estágio ou emprego: ”eu acho que a competição é um pouco desigual, porque em uma disputa por emprego, por exemplo, eu posso perder a vaga para um homem só por acharem que a mulher é menos qualificada ou incapaz de realizar um bom trabalho”.

A estudante, porém, guiada pelo maior sonho, nunca se imaginou fazendo outra coisa. Ela pretende, logo que se formar, ajudar as pessoas que passam fome. “Eu vejo o país com problemas de a comida ser mal distribuída, tanta comida sendo desperdiçada, e as pessoas passando fome por conta disso, então o meu grande sonho na profissão é isso, é poder ajudar as pessoas com o que eu sei”.

Em uma sala formada por 5 mulheres e 20 homens, Kananda afirma que nunca houve alguma atividade do curso que ela e as colegas não conseguiram realizar. “A gente sempre troca a cama da galinha, por exemplo, então temos que tirar a cama, com a enxada, e encher e levar o carrinho, que é pesado”. A força, inclusive, é uma das três palavras que ela utiliza para se definir como mulher. As outras são cuidadosa, para com sonho que tem na profissão, e livre, por achar que toda mulher deveria se sentir assim.

E como qualquer pessoa que almeja grandes conquistas, Kananda também tem suas inspirações. Ela aponta as professoras do departamento em que estuda como grandes exemplos para seguir na profissão: “eu me espelho muito nas professoras agrônomas, porque, se hoje em dia é difícil, eu fico imaginando quando elas estavam cursando, quando elas se formaram e quando elas lutavam pra estar onde estão hoje”.

Apesar da dificuldade de cursar uma área de público majoritariamente masculino, ela, que ama estar na companhia das amigas, manda um recado para todas as mulheres que, mesmo com medo de sofrerem algum tipo de preconceito, querem seguir o mesmo caminho: “a mulher não tem de ter medo. Se ela realmente quer realizar o sonho, quer botar a mão na massa, ela tem de ter coragem e ser feliz”, finaliza Kananda, que é mais um dos exemplos de superação e força das mulheres ligadas à UNITAU.

Leonardo Nicolini

ACOM/UNITAU

Foto: Thiago Bonésio/ ACOM

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